O seu medo deveria ser da tragédia de NÃO fazer

Qualquer tragédia que se passe por nossas cabecinhas sapiens às vezes nem viraria realidade. Entenda como lidar com o medo da tragédia em um mundo qu...

O que é a tragédia?

É algo pelo qual a gente não espera. É um acidente de grandes proporções.

E, como quase todo bom acidente de grandes proporções, ele geralmente vem de um erro humano. Falha técnica é erro humano; uma batida de carro é erro humano; um atropelamento é erro humano.

Todos nós temos tanto medo de tragédias que muitas vezes deixamos de agir pensando que a próxima pode estar logo ali na esquina.

Daí vem a pior tragédia de todas: deixar de viver ao máximo por causa de um simples medo de tropeçar.

 

A pergunta errada: “qual é a pior coisa que pode acontecer?”

Certa vez, ouvi a pergunta de um milhão de dólares, em um seminário online.

“Para você viver plenamente, responda sempre: qual é a pior coisa que pode acontecer se você tomar essa decisão?”

Muito tempo depois, descobri que essa é uma pergunta comum feita pelos coaches.

Na época em que a ouvi, fiquei bastante empolgada! Pensei: “poxa, é mesmo, o que de errado pode acontecer se eu tomar essa decisão?”.

E então veio a dor.

Eu posso morrer do nada, em um latrocínio maluco.

Eu posso ficar com câncer.

Eu posso perder todo o meu dinheiro e ficar com milhões em dívidas (o que seria a menos pior das hipóteses acima).

Então a empolgação da pergunta inicial caiu completamente. Muita coisa ruim pode acontecer!

E quem poderá me defender? 😛

Foi há pouco tempo, entretanto, que eu me dei conta de que a pergunta certa a ser feita era um pouco diferente:

Qual é a pior coisa que pode me acontecer se eu tomar essa decisão, levando em conta a PROBABILIDADE de essa pior coisa realmente acontecer?

BAAAM!!

Ponto para mim.

Nós devemos evitar o perigo, não o risco. Risco sempre vai existir. Viva com isso.

Séneca, advogado, escritor e filósofo renascentista, disse o seguinte:

Há mais coisas que podem nos assustar do que nos destruir; nós sofremos mais em nossa imaginação do que na realidade.

– Seneca

 

Quer saber de uma coisa?

Morte, câncer e falta de dinheiro também podem surgir se você não fizer nada em direção à vida que você deseja.

 

Sobre o medo: se o bicho vai comer de qualquer jeito, então corra

Existem muitos ditados que nos ensinam de maneira errada.

Dinheiro não dá em árvore… (oi? Dinheiro é papel, papel vem de árvore!).

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura… (mentira! Se não está funcionando, tente de outro jeito, vá por outro caminho!).

E há um ditado em particular que é um dos que mais nos fazem de bobos: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come

Só uma parte desse ditado está certa: se ficar, o bicho come, mesmo. Não adianta querer resultados se você não entrar em ação.

A parte boba é a do “se correr o bicho pega”. As pessoas supõem que as coisas vão dar errado e não se dão nem mesmo o trabalho de tentar.

Macaco e onça
“Nós temos muito mais o que fazer”, disseram os bichins.

Para que vou abrir um negócio? Para quebrar?

Para que eu vou ter filhos? Para eles me mandarem à merda aos 16?

Para que eu vou tentar esse emprego com o qual sempre sonhei? Para me frustar quando não conseguir?

Acontece que, na vida real, o negócio que deu certo, o filho que deu certo e o emprego que deu certo não são resultados de pessoas que desistiram. São resultados de pessoas que tiveram medo, mas o enfrentaram.

São poucos os que sabem lidar com o medo.

Minha receita secreta para que o medo seja detonado é muito simples: comece pequeno (com o que você tem); permaneça em ação (fazendo pelo menos uma coisa por dia); entenda que o medo vai estar lá, de todo modo, então não espere “deixar de ter medo”.

Nelson Mandela uma vez disse que coragem não é falta do medo, mas é, sim, ir com medo mesmo.

Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.

– Nelson Mandela

 

Às vezes nós ficamos com tanto medo de o bicho pegar que não nos damos conta de que ele pode ser um inofensivo cachorrinho.

 

Tragédia: onde eles estariam agora?

Para mim, seria uma tragédia se a humanidade perdesse os livros de J. K. Rowling, as músicas do Queen ou as aulas de minha antiga professora de atualidades – a Rebecca Guimarães.

Imagine se J. K. tivesse desistido de fazer Harry Potter antes de começar, ou se Freddie Mercury tivesse deixado We Are the Champions pela metade. Imagine se minha professora de atualidades tivesse aceitado a timidez e não tivesse nem mesmo começado a dar aulas!

Onde eles estariam agora? J. K. seria alguém frustada com a própria carreira, Freddie não teria ficado para a história e Rebecca poderia estar em um escritório fazendo algo que não a deixaria tão feliz. E onde você estaria agora sem as pessoas que são um exemplo para você?

Todos nós focamos nos medos que temos de não dar certo, mas nos esquecemos de nos perguntar: cara… e se esse troço der certo?

Fato é que provavelmente vai dar. Provavelmente vai ser melhor. Não é preciso muito planejamento, não. É preciso agir. Só que agir com um guia, sabe? Sabendo realmente qual será o próximo passo. Nós temos que aprender a agir sem dar um tiro no escuro.

Lembra-se de minha receita secreta detonadora do medo? Vou repeti-la: comece pequeno (com o que você tem), permaneça em ação (fazendo pelo menos uma coisa por dia), entenda que o medo vai estar lá, de todo modo, então não espere “deixar de ter medo”.

E agora vou acrescentar uma pitadinha de tempero à essa receita: gaste pouco. O mundo é menos caro do que parece.

 

Não me venha com essa história de mercado prostituído

A verdade é que qualquer tragédia que se passe por nossas cabecinhas sapiens nem viraria realidade. A verdade é que nós focamos no 1% (um abraço, Wesley Safadão!) de que as coisas vão dar errado.

Eu sempre fui criativa e minhas raízes apontavam um único caminho para o meu futuro: viver de criatividade. E, então, um dia eu comecei a estudar para concursos públicos, porque “o mercado estava prostituído” e “se você não ganhou com aquilo no passado, não ganhará com aquilo no futuro”. Eu amava o que fazia, mas acreditava que o mercado estava saturado, vendido e destruído.

E então eu decidi enforcar minhas verdadeiras vontades. Se eu quisesse realmente ser servidora, tudo bem, mas a verdade é que não queria.

Decidi nadar contra a maré. Procurei um mercado (teoricamente) mais fácil, porque vi alguém se dando bem, e comecei a investir nesse mercado…

Anos depois, voltei à criatividade e nunca estive tão feliz.

As pessoas deixam os próprios sonhos dentro de uma caixinha e vão ver o que dá “realmente” dinheiro.

Na busca pelo dinheiro, não encontram elas mesmas.

Sabe o que dá realmente dinheiro? Vender picolés! Um abraço para as franquias de paletas mexicanas no Brasil. Sabe o que dá realmente dinheiro? Fotografia! Um abraço, também, para Isis Castro! Sabe o que dá realmente dinheiro? Escrever! Um abraço, EU MESMA!

Não é o mercado que está prostituído.

São nossas mentes.

Enquanto sua mente estiver prostituída, você pode pular de galho em galho para o resto da vida que nenhuma árvore vai ter frutos.

Em outras palavras: existe muito mais risco disfarçado de perigo do que PERIGO real.

E aí chega o momento mais importante dessa história toda: como você consegue se conhecer DE VERDADE? E como você consegue colocar seus sonhos em ação?

 

Exercício: ignorando tragédias que não iriam acontecer

Aviões são um dos meios de transporte mais seguros do mundo. Perdem, basicamente, para o elevador, em questão de segurança. Mesmo assim temos menos medo de viajar de carro, barco ou bicicleta.

Esse é o tipo de medo irracional.

Basicamente, é o medo que a pessoa tem de somar 1 + 1, sabendo que vai dar igual a 2, mas acreditando que dará, sei lá… 17…

Para destruir esse tipo de medo (o medo de avião, por exemplo), não adianta focar em coisas racionais (como o número irrisório de acidentes), mas sim em seu destino: por que você vai pegar esse voo? Qual é o motivo? Foque nesse motivo, que seu medo vai embora.

Para você ignorar as tragédias que NÃO iriam acontecer, a ideia é a mesma. Foque no MOTIVO.

Então, eu proponho um exercício simples. Responda às perguntas:

O que você gostava de fazer quando criança?

Em que as pessoas sempre disseram que você é bom?

O que você deixou de lado em algum momento de sua vida, mas que vive voltando, vive te incomodando, vive aparecendo como um grande “e se”?

E, por fim: o que você faz atualmente?

Compare o que você deveria ser com o que você é, e então comece a viver sua própria vida.

Comente, abaixo, as respostas do exercício proposto.

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