E quando você descobre que é um abandonador nato de boas ideias?

Entenda por que, como escritores, contadores de histórias e roteiristas de nossa própria jornada, somos DESISTENTES natos – e descubra como ser um RESISTENTE com result...

Como escritores, contadores de histórias e roteiristas de nossa própria jornada, somos abandonadores natos.

É muito fácil desistir de uma ideia porque ela parece difícil demais, trabalhosa demais.

Os desistentes geralmente focam em obstáculos e motivos para não fazer, enquanto os resistentes focam em finalizar a obra.

J. K. Rowling, por exemplo, só queria que Harry Potter existisse em um lugar fora da própria mente. O resultado foi maluco, fora dos eixos, é claro, mas isso nem era esperado por ela. O que ela esperava era dar vida à história que ela amava. E deu.

Neste texto, quero que você perceba os pontos cruciais de sua busca por um desfecho, por uma conclusão de uma importante história em sua jornada.

 

Por que algumas pessoas desistem?

Aqui está uma das razões acadêmicas

O psicólogo americano Martin Seligman realizou, no início da década de 1960, com cãezinhos, uma pesquisa meio malvada, que explica o termo desamparo aprendido.

Desamparo é aquele velho “ninguém me ama; ninguém me quer; o mundo me odeia; e eu odeio o mundo”.

Claro que você pode ser desamparado em um grau menor, também. Pode pensar, por exemplo, que não há como aprender matemática ou história, ou pode pensar que não adianta tentar pedir comida pelo Giraffas, porque eles sempre chegam atrasados.

Pois bem. A pesquisa do Martin explica justamente por que nós vivemos nessa “Lanterna dos Afogados”.

Basicamente, Martin separou dois grupos de cães. Vamos dizer: grupo dos tolinhos #1 e grupo dos tolinhos #2.

No grupo dos tolinhos #1, os cães ficavam em uma superfície que dava choques – mas, não importa aonde fossem, o choque não parava.

No grupo dos tolinhos #2, os cães ficavam em uma superfície que dava choques, mas havia a possibilidade de eles irem para uma área sem choques.

Depois de um tempo, Martin juntou os dois grupos de cães na superfície que dava choques, mas que permitia aos cães a possibilidade de eles irem para uma área sem choques. BUM!!

Os cães do grupo #1 acreditavam que não adiantava tentar parar os choques, porque simplesmente eles não conseguiam; então ficaram estagnados, parados.

Os cães do grupo #2 já sabiam que era possível parar com o choque, então foram imediatamente para a área em que ficavam seguros.

Essa pesquisa, posteriormente aplicada a humanos, em diversas situações diferentes, explica bem por que muita gente desiste antes mesmo de começar. Você se acostuma com uma falha passada e acredita que ela sempre se repetirá no futuro.

 

A tal grama mais verde

Quando eu tinha 13 ou 14 anos, havia um grande supermercado na pequena cidade onde eu morava. O dono desse supermercado era um homem de 50 e poucos anos. Ele tinha alguns filhos, mas o garoto de 20 ou 21 era o que mais me chamava atenção, porque começou a cuidar dos negócios do pai por volta dos 16 anos.

Eu acreditava que eles eram o mais rico que se poderia ser, nesse mundo.

Esse garoto abriu um mercado maior em uma cidade um pouquiiiinho maior, com R$ 1 milhão e um problemão nas mãos, caso o negócio não desse certo.

Em minha cabeça de criança, esse rapaz era só alguém que tinha nascido em berço de ouro.

Eu pensava algo como: ele só consegue isso porque já é rico.

Hoje, esse mesmo rapaz possui um patrimônio de centenas de milhões de reais. Certamente esses resultados não vieram por sorte, ou por herança. O rapaz não duplicou ou triplicou o que seu pai tinha construído. Ele multiplicou, elevou a 5, 6 vezes o patrimônio da família.

Histórias como essa têm uma simples moral: comparar sua vida com a de outra pessoa só vai te deixar frustrado. Se for para olhar para a vida dos outros, que seja para tomar bons exemplos, e não para apontar dedos. Como meu mentor diz: quando você aponta um dedo para as outras pessoas, está apontando três para você mesmo.

 

Será que estamos vivendo em terceira pessoa?

Ela é criativa e ama pessoas. Não vem de uma família de servidores públicos, necessariamente, mas nasceu e cresceu no centro político do Brasil. Em Brasília, via de regra, se você não é servidor público, você vende para servidores públicos.

{Pequenina observação: aí está o problema número um… as pessoas tradicionalistas pensam que comprar é melhor do que vender. Não é. As duas coisas têm o mesmo peso de importância.}

Mas Carol foi na onda.

Seus amigos pessoais de segundo grau viam os servidores com tanta inveja, que Carol pensou: “será que só eu não vejo isso”? Pelo jeito: só, minha filha.

Quem é essa estranha?
Quando você não entende o que realmente quer, parece a piradinha do trabalho acima (EU!). É hora de parar para fazer o que realmente importa para você! 🙂 😛

E se, por um lado, os amigos de Carol viam os servidores (ou, pelo menos, a remuneração desses servidores) com um olhar invejoso, por outro lado, a família de Carol incentivava o concurso público e a estabilidade que ele oferecia.

E o que faz uma jovem de 19 anos?

Mais escuta do que pensa por si só.

Ela queria ter uma boa vida financeira, então fez concursos públicos, passou e se tornou servidora aos 20 anos de idade.

Eu vejo essa história acima em terceira pessoa, porque ela simplesmente não se parece comigo. Exatamente: EU sou a Carol. Todos a meu redor queriam ter o cargo que eu tinha aos 22. Todos queriam ser compradores. Todos queriam se vestir bem e ter um bom carro quitado e uma remuneração fixa todos os meses.

Até descobrir minha verdadeira missão, eu me justifiquei muito. Dizia que tudo bem não realizar meus objetivos infantis, porque muita gente queria o que eu tinha.

Até o momento em que decidi viver o que eu realmente queria.

 

Só que alcançar as próprias vontades é algo muito solitário de se fazer

Não é difícil. É solitário.

E eu não digo solitário no sentido de você ser um maluco trancado no quarto, nem nada disso (se bem que, às vezes, você vai estar enfurnado no quarto, também hahaha). Aliás, é possível atingir a solidão positiva focando apenas no essencial:

  • os amigos realmente mais íntimos, nos momentos certos;
  • a parte da família que não é apenas uma obrigação para você; e
  • o amor incondicional pelas pessoas que te fazem bem.

Também não digo solitário em um sentido ruim.

A solidão não é 24h por dia. Ao contrário: ela tem horário definido. É como quando você acorda muito cedo, antes de todo mundo, para simplesmente viver sua vida nas primeiras horas do dia com sua necessária solidão.

 

Estava lendo recentemente um livro chamado “Essencialismo”, do palestrante e escritor Greg McKeown. O livro trata basicamente da mentalidade de exclusão, de focar no essencial; no capítulo sobre “escapar”, Greg cita não só os benefícios de se estar indisponível, mas também inclui uma frase genial do Pablito:

Sem grande solidão, nenhum trabalho sério é possível.

– Pablo Picasso

 

Como eu disse: não é difícil; é solitário… mas está tudo bem.

Você acaba descobrindo que no caminho haverá pessoas e situações que você não esperava, e sua jornada acaba sendo uma agradável surpresa.

 

O caso é que você se sente estranho. Diferente.

Nessas necessárias horas de imersão e solidão, as pessoas te olham esquisito; as pessoas te chamam de louco ou dizem que você tem ganância demais. Só que, fala a verdade: o que essas pessoas realmente sabem?

Às vezes, você perceberá só com o tempo (às vezes com MUITO tempo) que gente te olhando esquisito faz parte. Às vezes isso é até bom. Significa que você está fazendo alguma coisa útil. Significa que você está se vendo em primeira pessoa, pela primeira vez, depois de muito tempo.

Outras vezes, você notará que não adianta tentar justificar seus objetivos para as outras pessoas, porque esses objetivos simplesmente não vão fazer sentido para elas. Na realidade, esse é o momento de você olhar para si mesmo e se perguntar: o que eu estou fazendo faz sentido para mim? Então isso basta.

 

Vou, não vou, vou, não vou: como você sabe se realmente sua ideia vale a pena?

Se você não a tirar da cabeça, é porque certamente vale a pena. Se ela te incomodar o tempo todo, voltando frequentemente, é porque certamente vale a pena.

Só deve ficar clara a importância de não dar para trás. De não olhar para ideias dos outros e pensar que você é pequeno demais e que a sua ideia não vai dar certo. O que você deve fazer é ir COM FORÇA, e saber que o tempo investido nisso é muito mais importante do que qualquer imposição boba da sociedade que te tire dos eixos, que remova suas aspirações mais intrínsecas.

🙂

Com isso, eu te deixo com essa uma tarefa: identificar este algo que você não consegue tirar da cabeça e iniciá-lo com verdadeira intenção de ir até o final.

Um cheiro e #comenteAí sobre suas ideias, suas desistências e, principalmente, suas resistências 😉

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